8 de mar de 2012

Crônica do Capitão Pimentel:" Um Ermitão perdido no meio da MULTIDÃO"


Um ermitão perdido no meio da multidão

Por José Geraldo Pimentel

Cap. Ref. EB

Esta frase me ocorreu no momento que lembrei-me de uma passagem quando realizava um ensaio fotográfico nas corredeiras do Rio Preto. Aproveitara o tempo que fazia companhia à minha esposa e uma filha que abrira uma loja de roupas num shopping na Vila de Maringá, Itatiaia, R. J. Saia para fotografar a região conhecida como Visconde de Mauá, que incluía as Vilas de Maringá, Bocaina de Minas e Maromba. E outras vilas que ia alcançando na direção da cachoeira da Fumaça. Vales, elevações, gente nativa e hippies que surgiam ocasionalmente, vindos de outras regiões com a sua cultura primitiva e artesanatos que garantiam as suas sobrevivências


Um desses personagens morava no Vale das Cruzes. Tinha uma casa na serra e uma apicultura. Seu terreno era uma horta viva com grande variedade de hortaliças e legumes. Uma ocasião o acompanhei desde o centro da Vila de Maringá, caminhando pelo mato que me assustava, receoso de ser picado por uma cobra. Chegamos em sua casa. Limpa. Colocamos uma máscara e visitamos sua criação de abelhas. Uma caminhada para guardar na memória. Salvador o seu nome.


É assim, de certa forma, que coloco o meu modo de ser. Nunca me vejo envolvido com as pessoas. Cultivo as amizades mais pelas lembranças. Evito não me envolver com situações, que via de regra parecem ser uma coisa, enquanto escondem uma outra realidade, quase sempre diferente do que se imagina. Daí o meu auto isolamento.


As pessoas para mim funcionam como um elixir da vida. Elas representam o oxigênio que respiro, e... Expiro. Evito criar raízes. Só minha esposa e filhos conseguem me manter preso às suas presenças!

Poderia recordar minhas façanhas, ocasionais; digamos, ligadas ao mundo da política. Dos relacionamentos que envolvem a discussão, a troca de conhecimentos, as discórdias, e tantas outras formas de se relacionar através das idéias. Mas nada foi, tem sido ou será perene. Tudo passa em minha vida. Gosto mesmo de travar um bom embate, defendendo uma causa, que nem sempre é a minha causa, mas que precisa de alguém que a defenda. Quantas vezes entrei nessa seara.

Mas dura enquanto floresce o embate. Brigo por pouco tempo, sem deixar a luta pelo caminho. Temo apenas que minha ajuda se transforme em um estorvo; ou que venha a ser motivo de ingratidão. O meu carma! Levar soco no estômago ao defender uma idéia. Em momento algum experimentei o sabor da gratidão. “Pimentel, grato pela ajuda. Você se revelou um grande amigo!” Eu temo que a paga seja um chega pra lá!

Daí por que vagueio pelo mundo,- os caminhos que me levam o interesse,- tornando-me um eterno ermitão perdido no meio da multidão!

http://www.jgpimentel.com.br

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