6 de mar de 2012

Jornalista paraibano, NONATO NUNES:" Além dos FATOS"


EVANILDO BECHARA: idioma bem complicado

Pra quem acha que sabe o português...
Por Nonato Nunes/PROFATOS

Para quem acha que sabe escrever com perfeição a Língua Portuguesa aqui vai uma breve história contada por ninguém menos que o professor Evanildo Bechara, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) e um dos maiores especialistas no idioma de Camões. Conta ele que no início da carreira de professor costumava ouvir, pelo rádio, as aulas do mestre José Oiticica. Na época Oiticica era professor do prestigiado colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, e as aulas que ele ministrava pelo rádio serviam de embasamento não apenas para alunos, mas também para professores e profissionais de outras áreas.

Pois bem. Ao encerrar uma dessas aulas o professor Oiticica fizera o anúncio de que o próximo tema seria “o uso do hífen”. Dentre os mais ansiosos para ouvir as explicações do mestre estava justamente o principiante Evanildo Bechara. Muito bem. Criou-se uma grande expectativa acerca do que iria dizer Oiticica sobre um tema tão complicado até mesmo para quem é especialista no assunto. Eis que chegou o dia da tão esperada aula radiofônica. Todos aguardavam, com ansiedade, para saber o que tinha a dizer o velho catedrático sobre o uso do hífen. Na “hora h”, porém, veio a surpresa.


O velho professor assumiria, de público, um reconhecimento tão caro a um mestre da língua pátria. Aos ouvintes ele deu a seguinte explicação: “Senhores, eu lhes havia prometido falar sobre o uso do hífen. Mas pelas normas ortográficas da Língua Portuguesa, eu lhes digo que não sei usar o hífen.” Não é preciso dizer que houve decepções com tal admissão. Na entrevista que deu à rádio CBN, Bechara não escondeu que quando assumiu tal fragilidade Oiticica simplesmente tirara “um peso” de cima de quem se julgava, até aquele momento, incapaz de escrever corretamente o próprio idioma que falava.

O que me chamou a atenção na entrevista do professor Bechara foi a simplicidade com que ele tratou do assunto. Surpreendeu-me também o depoimento dele favorável às reformas ortográficas em vigor desde janeiro de 2009 e cujo período de adaptação (no Brasil) se encerra em 31 de dezembro próximo. Para ele o Brasil já devia ter abolido o uso do trema há mais tempo. Segundo disse, até a segunda metade do século passado tal notação não tinha uso no idioma pátrio.


Por essa razão ele entende que o trema não fará nenhuma falta ao português. O professor diz que a existência daquele sinal era meramente “visual”, pois não exercia nenhuma influência na pronúncia. Sua afirmação se fundamenta no fato de que quem pronunciava o /u/ em sílabas como “que” e “qui” vai continuar com a mesma pronúncia após a abolição do trema. Para reforçar o que disse deu como exemplo a palavra “questão”. Conforme exemplificou, há pessoas que pronunciam “kuestão”, quando, normalmente, o /u/ não é pronunciado (kestão). Por isso não crê em mudanças de pronúncia após o fim do trema.

E assim o professor Bechara nos tirou “um peso da consciência” quando admitiu que escrever com perfeição a Língua Portuguesa é uma tarefa praticamente impossível. Portanto, não errei quando disse, no meu artigo “O texto”, por mim publicado no meu blogue, que escrever corretamente o português é um quase “exercício de criptografia”.

E você? O que acha?


NONATO NUNES/ PROFATOS

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