13 de mar de 2012

Jornalista paraibano Nonato Nunes:" Além dos FATOS"


VÍTIMA DE CHERNOBYL



Lamarckismo atômico

Por Nonato Nunes/PROFATOS

Fatores externos podem causar mutações genéticas? O monge austríaco Gregor Mendel (1922 – 1884)) respondeu a tal indagação com um sonoro “não”. Mas os lamarckistas (de Lamarck, ou Jean-Baptiste Pierre Antoine de Monet) afirmavam que “sim”. Para o primeiro a herança genética seria imutável e passada de pai para filho sem alterações. Já Lamarck dizia que o meio ambiente pode, sim, ser fator de mutações capazes de influir nos aspectos genotípicos e fenotípicos de cada indivíduo. Essas teorias deram origem a estudos científicos que visavam a geração de “seres biologicamente superiores”. A Eugenia, como ciência, tinha por finalidade moldar seres fisicamente perfeitos e organicamente saudáveis. O detalhe terrível dessa busca pela estética estaria na destruição física dos seres com anomalias genéticas.

Pois bem. As duas bombas atômicas despejadas sobre Hiroxima e Nagazaque em 1945, mais o desastre nuclear de Chernobyl (1986) e o das usinas termonucleares do Japão comprovariam o lamarckismo? Vinte e cinco anos depois do desastre nuclear da Ucrânia nenhum ser humano atingido pela radiação deixou de apresentar algum tipo de anomalia genética. Pessoas antes saudáveis passaram a sofrer de progressivos encurtamentos da estrutura óssea; outros, deformações na aparência externa. Os bebês nascidos após o desastre apresentaram malformações físicas, certos tipos de cânceres, perda de imunidade e deformações ósseas. Houve casos de bebês univitelinos fisicamente ligados um a outro com a completa exposição dos órgãos internos (dos intestinos, por exemplo).

Um exemplo disso foi mostrado em Semipalatinsk (Cazaquistão). No Instituto Médico de Pesquisas sobre Radiação há uma expressiva coleção de fetos que nasceram mortos. Eles apresentavam graves anomalias físicas em decorrência dos testes nucleares realizados na área. Outras apresentaram hidrocefalia (líquido no cérebro) e câncer na tireoide. A lista dessas anomalias é bem extensa.

Ora, segundo os cientistas as pessoas expostas a nuvens de radiação dificilmente deixariam de sofrer algum tipo de alteração no DNA. Sabe-se que estão nos cromossomos toda a herança genética da humanidade. E então? O que acontecerá com os filhos dessas pessoas? Essa alteração será passada de pai para filho e a terra será habitada por gerações de “Frankensteins”? Eis aí algo que precisa ter toda a atenção necessária da comunidade científica internacional face ao perigo por que passa a humanidade desde a fissão nuclear (o bombardeio do núcleo do urânio com nêutrons para a liberação de grande quantidade de energia) desenvolvida por físicos como Albert Einstein, Oppenheimer, Edward Teller e Enrico Fermi.

A radiação atômica parece comprovar que tanto Mendel (com seus estudos acerca da herança genética) quanto Lamarck (com sua teoria de que o meio ambiente pode ser fator de mutações genéticas) estavam corretos. Ora, se a radiação atômica é capaz de causar alterações no DNA, presume-se que as futuras gerações, pelo processo de herança genética, carregarão todas as anomalias e as exporão nos aspectos físicos, neurológicos, psíquicos e orgânicos.

Peço a quem tiver mais embasamento que também discorra sobre o tema, pois as anomalias genéticas passam, agora mais do que nunca, a ser uma realidade presente e que comprometem o futuro da humanidade.

Um abraço e até a próxima.

Nonato Nunes- PROFATOS/ Parceiro do Blog Ponto de Vista

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