9 de nov de 2012

Artigo do Cap. Pimentel:" O ESPÍRITO DE SOLIDARIEDADE"



O espírito de solidariedade
Por José Geraldo Pimentel
Cap Ref EB
 
Maitê Proença está inconformada com a internação de Ney Latorraca na Casa de Saúde São José, no Humaitá, Rio de Janeiro.
Segundo o colunista Leo Dias, a atriz esteve no local e fez um escândalo pedindo a remoção do amigo para São Paulo, na noite de terça-feira (6). Aos gritos, a atriz exigiu que Ney fosse transferido para o hospital Sírio-Libanês.

O estado de saúde de Latorraca é extremamente grave. Isso porque muitos problemas foram descobertos no momento em que ele precisou ser submetido a uma cirurgia de retirada da vesícula. 

O estado de saúde do artista é tão delicado que ele não pode sequer ser colocado em uma ambulância.

No prontuário de Ney, Miguel Falabella consta como o responsável pelo profissional e por qualquer cobrança extra.

O Ney Latorraca precisa sobreviver para sentir o quanto é querido pelos seus companheiros. Ele não esteve sozinho jogado em cima de um leito de um hospital. O carinho dos seus companheiros aqueceu o seu corpo!
(MSN, 08/11/2012).

Exponho a notícia acima para mostrar o que é solidariedade e espírito de corpo. O que mais se ver na televisão são festas de aniversário, lançamentos de revistas com matérias de artistas que pousaram nuas, estreias de peças de teatro, e outros eventos. Dá a impressão que a vida do artista é pura badalação. Um vai na festa do outro e vice-versa. 

Neste exemplo vemos mais do que badalação. Há a preocupação com a saúde do colega de profissão e até quem se responsabiliza pelos gastos hospitalares.
 
No velório da apresentadora Hebe Camargo vimos a imagem do empresário e apresentador Sílvio Santos, segurando as mãos da amiga morta e beijando-lhe os lábios. O último ‘selinho’ que a atriz recebeu, desta feita na urna funerária. Esta foto me comoveu ao extremo.

Não sei se estou errado, mas vou mais uma vez discordar de algumas ações que são próprias da natureza do militar. Seriamos nós militares tão durões a ponto de não nos sensibilizarmos com o sofrimento do colega de farda! Quero dar alguns exemplos. 

Você posta um texto na lista de discussão em que interage com os colegas. Seu problema é a assistência médico-hospitalar, - Fusex, - que limita-se a atender a você, sua esposa e, eventualmente, um filho com problema grave de manutenção, seja por uma doença mental ou invalidez. 

O atendimento aos filhos cessam ao completar a maior idade, ou até os vinte e quatro anos de idade, se estiver cursando uma faculdade. Daí em diante seu plano de saúde (Fusex) se transforma num planinho de quinta categoria. 

Se pleitear um atendimento extensivo a mais um dependente, logo surgem companheiros que criticam, achando que o colega deveria fazer um plano de saúde complementar. Mas não refletem se o colega de farda tem condições financeiras para arcar com a despesa. 

Não seria mais lógico e humano sugerir que a instituição militar criasse, por exemplo, um plano mais caro para aqueles que quisessem estender a assistência médico-hospitalar a toda a família, pais e filhos independentes de idade!

Procurar o Fusex na Seção de Inativos e Pensionistas (SIP) é correr o risco de levar um fora do graduado que o atender, logo compartilhado com o chefe da seção que de longe grita da impossibilidade do atendimento, impondo uma série de exigências. E você sai de cabeça baixa se sentindo o mais miserável dos seres humanos.

A questão da pensão deixada pelo casal para as filhas, ainda que você desconte o pecúlio em folha de pagamento (1,5%) é motivo para uma gritaria geral.

- Não pode. As filhas que vão trabalhar! Dizem alguns. E enumeram diversos argumentos todos impróprios de serem repetidos aqui.

Muitas discriminações são anotadas pelos que se sentem oprimidos. Um exemplo: O militar reformado; isto é: que na reserva alcançou os 70 anos de idade, é discriminado pelo Exército, que lhe tolhe o direito a fazer um empréstimo consignado, ou reformá-lo. 

E aí seu sonho de obter alguns trocados para fazer uma reforma na casa, liquidar algumas dívidas, ou até para a sua sobrevivência, face ao arrocho salarial em que vivemos. Quando alguém lhe dá atenção, é para criticá-lo. Diz taxativo:

- Faça como eu. Mantenha as suas finanças em dia. Não gaste mais do que recebe! Eu não faço empréstimo, nem uso o Fusex. Faz muito tempo que larguei o Fusex e tenho plano de saúde particular.


E aí eu pergunto: Qual a diferença entre uma classe de artistas e uma classe de militares? Os primeiros são solidários com os companheiros, e fazem a alegria das pessoas. Os segundos são nem tanto solidários, bem fechados e reclusos em seus casulos, e pouco se lixam pela desgraça do colega. São capazes de dar a vida para salvar um colega que esteja em situação de risco numa emboscada, num acidente, mas agem com indiferença quando são instados, ainda, que, indiretamente, através de uma lamúria escrita em um texto postado numa lista de discussão. Vejo nessa diferença de atitude uma componente psicológica. O artista age por solidariedade, por respeito a sua classe, por amor ao ser humano. 

O militar é doutrinado para agir como um robô. Cumpre ordem, e faz o que o regulamento determina. Desfilam garbosos, dentro de um uniforme impecavelmente limpo, mas nem tanto sincronizado como se ver nos antigos desfiles das tropas nazistas, ou mais recentemente numa parada militar das forças militares do pais vizinho, a Venezuela. 

Precisaríamos humanizar as Forças Armadas e abrir mais os regulamentos para abraçar as palavras que saem do coração.
Precisamos de um comandante militar que coloque o ser humano na prioridade do seu projeto de administração. Juntar assessores comprometidos com a justiça social, sem descuidar-se da formação rígida dos seus homens. Mas homens e não máquinas frias, cegas e desumanas!

Agora posso dizer que passei a entender melhor o artista que aplaudimos na tela da Televisão, nos palcos dos teatros e nos picadeiros dos circos. O meu circo verde oliva é frio e triste!

http://www.jgpimentel.com.br

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