20 de nov de 2012

Crônica do Capitão Reformado do EB- "Adriano Pires Ribas"



  
DEU BRANCO
        Certa noite, explicava algo aos alunos, respondendo a pergunta de um deles, quando decidi lhes mostrar com um exercício em QN:
              - Vamos ver fazendo um exercício, ok?
                     
E me encaminhei em direção ao quadro com intenção de lhes mostrar como fazê-lo. Ao apanhar o giz percebi que não sabia de que estava falando, não lembrava o que deveria fazer, tive um “branco”. O susto foi imenso. Instantaneamente transpirei como se tivesse batido o recorde dos cem metros rasos.  Nesse exato momento deu o sinal do recreio e aliviado voltei para a mesa. Ao me aproximar dela voltou-me a memória, lembrei o que me cabia fazer. A isso é que se pode dizer salvo pelo gongo!
               

 Algum tempo mais tarde, talvez até no mesmo ano, me dirigia de carro até uma agência bancária quando de repente passei a me perguntar onde estava indo?   

Porque estava naquela região da cidade? E, pior, de repente me perguntei como é que volto para casa? Aí o susto foi grande, encostei o carro e desliguei o motor. 

Com isso a memória voltou. Procurando um médico, depois de inúmeras perguntas disse-me que eu apresentava indícios de “esgotamento”. Provavelmente por excesso de trabalho e(ou) preocupações. Bom, na época lecionava Física e Matemática em três turnos, manhã, tarde e noite. Sábados, domingos e feriados, direto corrigindo tarefas e preparando material para aulas seguintes. Se fosse hoje teria dito que estou “estressado”.

ESSA COISA DE MATEMÁTICA
                   Em minha experiência como Professor, apesar de ocasionais – raras - dificuldades, tive, para compensar, momentos de pura alegria em classe. Vou citar exemplos de situações prazerosas. Havia uma jovem não mais que dezesseis anos, educada, tranquila, e linda. Depois de exaustivas explicações, e de exercícios feitos em QN, as vezes assunto já trabalhado antes, ela, sempre naquela pausa que eu costumava fazer aguardando perguntas,falando vagarosamente, dizia:

-Professor, não entendi!.
- O que exatamente você não entendeu?
         -Nada, nunca consegui aprender essa coisa de Matemática. Comece de novo Professor, por favor.

E recomeçávamos, procurava outra forma de mostrar-lhes como fazer. Às vezes, de novo ela repetia que não havia entendido e reiniciávamos ainda uma vez mais. O resultado acabava sendo bom porque não só ela terminava aprendendo, mas outros que também não haviam entendido e por timidez nada perguntavam, acompanhando os diálogos assimilavam melhor e dissipavam dúvidas.   

Certa ocasião, assim que terminei de mostrar um novo item, feito o primeiro exercício pelo Professor, preparava outro e antes que um aluno fosse chamado para resolve-lo escutei-a chamando o Professor. Me voltei já imaginando o que ela não teria entendido agora. Mas, ouvi isto:

- Professor, acho que estou aprendendo Matemática! Deixe-me tentar, com sua ajuda,resolver esse exercício?

O Professor não queria outra coisa! E ela o resolveu sem ajuda sendo espontaneamente aplaudida pela turma, o que me pareceu um momento raro. Isso não é comum.

Em outra ocasião, depois de explicado como proceder as transformações para resolvermos uma equação diferencial simples, exercícios feitos em QN; um pelo Professor, mais uns dois por alunos, das primeiras fileiras um  garoto conhecido pelo seu jeito debochado de falar, não se conteve  e a plenos pulmões, para toda a classe ouvir, disse:
- Professor, isso é mais fácil do que peidar dormindo!

Adriano Pires Ribas- nascido em Agudos do Sul, no sudeste paranaense, é trineto de João Alves Pires, fundador da região de Agudos. Capitão Reformado do Exército Brasileiro, é licenciado em Matemática. 


N:B-crônica encaminhada para publicação pelo autor           

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