27 de abr de 2014

FORÇAS ARMADAS DO BRASIL:" JURAMOS MORRER PELA PÁTRIA. MAS NÃO DE FOME"

Reunião tensa no Ministério da Defesa. Representantes dos militares da Forças Armadas já falam em paralisação.

“ Se prender meu esposo o Ministério vai ter que mandar prender ele e eu...”

"Nos vamos fazer como todo mundo faz, prender um é fácil, prender dois é fácil. Eu quero ver prender TRÊS MIL, QUATRO MIL..."

Fonte: Revista Sociedade Militar-
http://sociedademilitar.com.br/index.php/forcas-armadas/1129-representantes-dos-militares-da-forcas-armadas-ja-falam-em-paralisacao.html

Dia 24 de abril ocorreu nova reunião no Ministério da Defesa, com a presença de Ari Matos Cardoso, Secretário Geral do ministério. No evento compareceram varios políticos e representantes de associações. O deputado Izalci, do PSDB, que se apresentou como “defensor das Forças Armadas”, logo de início disse que defende a criação de uma espécie de comissão no Ministério da Defesa voltada exclusivamente para a questão de remuneração dos militares. Segundo o deputado, todas as categorias que fazem paralisação conseguem ter suas reivindicações atendidas, mas os militares, que não podem se sindicalizar nem fazer greves, permanecem com enorme defasagem salarial.

Recentemente os policiais da Bahia realizaram uma greve, considerada ilegal, e os militares federais foram deslocados para reforçar a segurança do estado. Os policiais conseguiram seu reajuste.

Ari Matos Cardoso disse que o Ministério da defesa já construiu uma política de remuneração dos militares, que teve a aprovação dos três comandos, que deve ser apresentada ainda esse mês. Segundo o mesmo, o documento será um instrumento orientador para a valorização da carreira militar.

O senador Paulo Paim, quando assumiu a palavra logo mencionou a questão do inacreditável valor do salário família dos militares, que é de 16 centavos, valor ridículo, que só ganhou evidência nacional após um já conhecido militar carioca, sargento Vinícius Feliciano, em ação ousada, escalar a estátua do Marechal Deodoro usando uma camisa com a frase “Não é só por R$ 0,16”

As falas da maioria das pessoas foram dentro da tão conhecida, e já angustiante, ética parlamentar. Que acaba, pelo excesso de gentilezas e atenuantes linguísticos, fazendo parecer que os temas tratados não são tão urgentes e importantes quanto na verdade são. Fugindo dessa regra surge a Senhora Kelma, presidente da Unifax. Kelma Costa não poupou palavras de indignação. Ela parece saber realmente o que são as privações passadas pela família militar, e cremos que deixou o Ministério da Defesa bastante preocupado depois de ouvir suas palavras.

Kelma começou sua fala perguntando: “ _Ha quanto tempo que se sabe disso? 

Quando você sabe de um problema e não busca uma solução demonstra-se com isso algumas coisas. Ou é falta de vontade de resolver. Porque se for falar que é questão de dinheiro eu vou ter que desmentir, porque no Brasil, aonde se tem dinheiro pra tudo é complicado acreditar e passar isso pra tropa hoje. Isso não pode ser mais justificativa. A questão dos 28.86% é uma questão agora de execução...

Ela continuou. Ao seu lado Ari Matos mantinha o semblante fechado. "O que eu preciso saber é o seguinte: se tudo isso que se disse aqui já se sabe desde 2005, então, sair daqui ou nos deixar novamente no vácuo, sem uma resposta, uma data, um preto no branco, seria simplesmente a defesa se colocar numa posição omissa. Ou de que não quer resolver ou de que joga a bola pra Presidente. E os militares vão saber o seguinte, nós então estamos sem representação, nós não temos mais a quem recorrer a não ser o comandante supremo..."

O senhor lembra que eu estive aqui em manifestação no ano passado... estivemos em reunião com o senhor... no dia seguinte voltamos em manifestação... buscando de alguma forma chamar a atenção do Ministério da Defesa pra essa situação que eu to apresentando pro senhor um ano depois, e nada foi feito. Eu disse, então nós vamos pro Congresso, do Congresso partimos pro Senado, e as coisas cresceram e a tendencia agora é crescer muito mais. Porque eu vou dizer uma coisa pro senhor doutor Ari, eu estou com quatro ônibus de militares da reserva preparadinhos, porque se não for tomada uma decisão nós vamos vir pra cá.

Nós vamos fazer como todo mundo faz, prender um é fácil, prender dois é fácil. Eu quero ver prender TRÊS MIL, QUATRO MIL, aí vai complicar a situação. Eu vou dizer pro senhor que o meu marido é um desses que está cansado, sobrecarregado, endividado, e esperando, esperando... Vai ter que acontecer igual acontece aí, uma hora vamos parar, vamos parar com tudo e quem tiver que prender prenda e quem tiver que arcar com as consequências que arque... Se prender meu esposo o Ministério vai ter que mandar prender ele e eu. Porque o senhor vai levar e eu vou ficar sentada do lado de fora esperando ele sair, ou dentro da cela com ele. Vai ser um trabalho dobrado.

A senhora Ivone Luzardo descreveu uma mensagem que recebeu de um militar: “Eu quero entrar no Congresso armado... se eu tiver uma chance não sobra um.” A que ponto deixaram chegar os militares. Se isso não é revanchismo é o que?

Pelo conteúdo dos discursos conclui-se facilmente que a situação está no limite. As falas dos representantes nos levam a crer que em um momento como esse qualquer coisa pode acontecer.

Essa semana mesmo o grupo TERNUMA (Terrorismo Nunca Mais) criou uma grande lista em repúdio ao governo atual, em poucos dias ela já conta com mais de 2 mil signatários. Imaginem um grande grupo de oficiais da reserva, generais que ocuparam altos cargos, coronéis... Caminhando silenciosamente e simplesmente se posicionando em frente ao Palácio do Planalto.

Qual será o tamanho do prejuízo político se a sociedade perceber que as Forças Armadas estão insatisfeitas com o governo, a ponto de atitudes extremas, como mencionou a senhora Kelma Costa?


OBS: matéria  encaminhada para publicação pelo Cel do EB Mário Duarte

POSIÇÃO DA BLOGUEIRA:

 Na realidade já passou é da hora da" FAMÍLIA MILITAR" se manifestar e exigir seus direitos constitucionais. É uma vergonha a forma como os governos agem contra a nossa gloriosa Forças Armadas Brasileiras.

Desde a época do governo Sarney, a FAMÍLIA MILITAR, foi abandonada à sua própria sorte. Precisou na época que o Capitão Luiz Fernando Walther de Almeida,na época instalado no 30º Batalhão de Infantaria Motorizado (BIMtz) em APUCARANA-PR,
acompanhado por um grupo de soldados, invadisse o gabinete do prefeito , e entregasse ao assessor, carta de protesto contra os baixos salários e a deficiência do atendimento de saúde aos militares das F.A, para que o governo Sarney , resolvesse atender a reivindicação dos militares do Brasil.Aliás, fato histórico no país. 

Depois outros governos, mantiveram-se na mesma linha, colocando as reivindicações dos militares em terceiro e quarto plano. 

Mas infelizmente não tinhamos comandantes corajosos para atuar em favor da TROPA e a situação de penúria e abandono foi se agigantando.

Na gestão de Itamar, acontece o reajuste diferenciado integralizando os 28,86% só para oficiais com postos acima do de capitão de corveta, deixando o restante da TROPA, de pires nas mãos.

E hoje uma das lutas reivindicatórias, é justamente que o governo de DILMA, pague imediatamente os 28,86% garantido por decisão do Supremo Tribunal Federal e pela Súmula 47 da Advocacia Geral da União, que até agora o governo tem se negado cumprir a determinação.

No governo de FHC, foi também de grande arrocho salarial, e depois com a entrada dos governos petistas, a situação tomou novo rumo, aliás pior, frente ao revanchismo. A paralisação proposta pelos representantes da FAMÍLIA MILITAR, é sem nenhuma dúvida uma grande conquista.

Demonstra que atualmente os nossos militares não aguentam mais a neutralidade do alto comando frente aos direitos esquecidos de seus soldados. 

A falta de ação do comando das F.A, e de diálogo com o governo, induz essa AÇÃO. 

É uma VERGONHA, que um militar oficial, que se dedica há anos em estudos, ganhe metade que um garçon que presta serviço no SENADO com salários de até R$ 15 mil. 

A união entre as Associações Militares estão fazendo sim a DIFERENÇA.

E certamente suas VOZES estão sendo ecoadas nos QUARTÉIS !

Lígia Leal

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