14 de jul de 2014

ARTIGO DO CAPITÃO PIMENTEL

O limite da crítica e o corporativismo
Por José Geraldo Pimentel
Cap. Ref. EB

O homem não difere de um animal irracional. Observa-se que na floresta os animais andam normalmente em grupos, e se defendem de um predador contra-atacando juntos. Assim também se comporta o homem. Esse tipo de defesa é visto em todas as classes sociais. 

Uma da mais unida é a classe artística. Os artistas se mostram coesos prestigiando os colegas nos lançamentos de uma peça teatral, um show musical, um filme, etc. Se solidarizam nos momentos de desgraças. As rusgas entre elementos acontecem sempre por motivos de vaidade, mas não costumam prosperar por muito tempo, porque os laços de amizade são fortes.

E o bicho ‘milico’, aquela classe social em que a união é mantida pelos regulamentos, e, esporadicamente, pela lembrança de um convívio em uma escola de formação, quer seja de graduados ou de oficiais? Na reserva ou na reforma, a lembrança vem ao se ler um obituário. Uma frase de pesar que nunca chega ao conhecimento dos familiares do falecido.

Trocando em miúdos. O militar costuma carregar o ‘rei na barriga’; isto é: tem complexo de superioridade. Acha-se superior aos colegas de graduações e postos inferiores, mais os oficiais do que os sargentos. E tem uma deformação de caráter que consiste em viver pendurado no saco do superior hierárquico. 

Se um companheiro de farda é de posto inferior ao seu, dificilmente cita o seu nome ao fazer um comentário sobre um texto que escreveu, quando muito faz uma referência ao posto. “Um capitão abordou tal assunto”. 

Se for um de classe hierárquica superior, sobram comentários e a citação do autor.

Faço essas observações em função da pouca receptividade dada pelos companheiros de farda em relação às críticas que escrevo sobre superiores hierárquicos. Leitores civis fazem os seus comentários, elogiando ou criticando, mas não se esquivam em fazer.

Pergunto: Um militar pode criticar a atitude de um superior hierárquico, ainda mais na posição de comandante de uma Força? 

Se o militar não cumpre o seu papel de chefe militar, não se preocupa com as mazelas de seus comandados, acho-me no direito de cobrar providências. Não vou esperar que se criem sindicatos para defender os pleitos dos militares. Não vou votar em candidato militar só porque se acredita ser necessário ter-se uma bancada no Congresso Nacional. 

Os ruralistas têm uma forte representação no parlamento e morrem na praia. Sofrem com o descaso do governo e ainda vê as suas propriedades invadidas. 

E vão enfrentar os vândalos de sem-terra para ver se não são processados! Nem a polícia militar pode coibir a ação desses marginais. O exemplo de Eldorado dos Carajás está aí para confirmar. 

Na mentalidade dos defensores dos direitos dos bandidos os policiais deveriam permitir que os desordeiros armados de facões, foices, enxadas e porretes os atacassem livremente, sem se defenderam. 

Fizeram bem em reagir à altura. Só faltou liderança policial e militar para enfrentar os marginais de toga que condenaram os colegas de farda. Por isso sou contra a criação de partido militar. O militar não tem partido. Seu partido é a nação brasileira. 

Não voto em militar da ativa que se candidate a qualquer cargo político. Quer ser político e entrar na mamata, peça exclusão da caserna; é mais honesto e digno.

Quem por direito tem a obrigação funcional e moral de defender os interesses da classe militar são os chefes militares. 

Nunca deixar nas mãos de um ministro da Defesa, desqualificado profissionalmente, por se tratar de um civil que não entende nada dos misteres militares. 

E pior quando é um membro da canalha que governa o país.

Não vejo porque fazer vistas grossas quando, por exemplo, o comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, assina um Acordo de Solução Amistosa, e vai ao descerramento de uma placa que injuria a honra de uma unidade militar como a Academia Militar das Agulhas Negras, só por que assim deseja e ordena a ministra chefe da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, senhora Maria do Rosário Nunes. 

Não tenho porque me calar quando essa senhora determina que se retire do site do Exército a referência à derrubada do ex-governo comunista do senhor João Belchior Marques Goulart. Devo aceitar que proíbam o Exército de realizar solenidades no dia 31 de março? O Ministro da Defesa, Celso Amorim, comenta em entrevista à jornalista Miriam Leitão (O Globo, 28/06/14) como avanço, o fato de o Exército não mais comemorar oficialmente o 31 de março. 

Não comemora porque a covardia passou a morar na alma e coração de muitos chefes militares, aqueles que não honram a farda que vestem. A carreira militar é colocada em primeiro plano.

Tenho que compactuar com a irresponsabilidade de um comandante de Força que abandona os companheiros que deram as suas vidas em defesa da pátria, lutando contra os militantes da luta armada, entregando-os, praticamente, nas mãos dos seus inimigos?

Digo e repito: não concordo que um chefe militar aja como um covarde, sujeitando-se às ordens de uma ‘ordinária’ (citação dita e consagrada pelo cap Jair Bolsonaro), só porque faz parte do staff da presidência da república. 

E nem porque age como um cooperador de um regime de feições comunista, tratando os ex-companheiros de farda como ‘militares do passado’. 

Um chefe militar antes de se mostrar um serviçal deve pensar na representatividade da função que exerce. Um militar nunca é um covarde!

A verdade incomoda aos corporativistas. Daí o silêncio sepulcral! ‘Comentar um artigo do cap. Pimentel é concordar com ele, e isto não fazemos, não pelo que escreve, mas por ser um oficial de patente inferior!’

Esse silêncio é a prova de que não estou faltando com a verdade e nem desrespeitando a autoridade!



Acesse: www.jgpimentel.com.br

0 comentários:

Postar um comentário

Os comentários não refletem necessariamente a Opinião da editora do blog "PONTO DE VISTA".

  © Blogger templates Newspaper III by Ourblogtemplates.com 2008

Back to TOP