3 de abr de 2015

COMPORTAMENTO POR MONTSERRAT MARTINS

Paixão, conquista e risco


                                                  Montserrat Martins



       Não existe conquista sem paixão. Não existe paixão sem risco. Está dito. Uma Feliz Páscoa !
       Ah sim, há controvérsias, há quem ache que a razão é a mola propulsora das civilizações, que o desejo seria na verdade o seu entrave, pois as paixões nos puxam para o primitivo.
Na verdade – e os Neurologistas sabem bem disso, pois a resposta emocional é mais rápida que a cognitiva – o próprio pensamento costuma ser uma racionalização dos desejos, quem manda em nós são os quereres e os deveres se ajustam a eles.
Para conquistar algo eu devo fazer tais e tais coisas, que só faço porque tenho paixão por aquela meta.
 As paixões de todos os tipos estão sempre na moda, são as que vendem notícias em jornais, revistas, sites, blogs, redes sociais...
A briga do jogador Fabrício com a torcida do Inter mexeu com as mesmas paixões pelo clube que o Ronaldinho despertou nos torcedores do Grêmio.
São duas pessoas que não podem mais sair sossegadas em Porto Alegre, pois sempre surgirá algum torcedor fanático para demonstrar sua revolta com eles, em nome da paixão pelo clube.

Paixão pode ser por uma pessoa, por um clube, pode ser narcisista, ou por fama, poder ou dinheiro, como disse o Caetano, “a grana que ergue e destrói coisas belas”.
O trabalho não é um fim, é um meio. A academia também.
Os cursos até podem ser divertidos pelo coleguismo, mas não na hora das provas.
Pessoas capazes de se concentrar em seus objetivos fazem muito sacrifícios, desde o sucesso profissional até a própria aparência, como já disseram num filme “a beleza requer sacrifícios”.

       E pela primeira vez nos últimos 50 anos as paixões voltaram à política, pois quando em 1964 a ditadura militar foi decretada havia grande rebuliço nas ruas, dos dois lados, pró e contra governo, como agora.
Daquela vez não deu certo, não conseguimos resolver nossos problemas democraticamente, uma parte do país calou a outra durante mais de duas décadas.

       Não vamos evoluir sem paixão pela política, como estivemos durante décadas atrás, sendo só o país do futebol e do carnaval. Mas que essa paixão de agora não dispense nossa razão, que é quem direciona os desejos para as conquistas.

A paixão pode ser “anti” alguém, a razão não.

Não evoluímos destruindo uns aos outros, mas tendo a capacidade de compreender e assimilar o que cada perspectiva do outro pode nos trazer.

O debate sobre empresas públicas ou privadas não tem vencedores, porque precisamos de ambas, que ambas funcionem de um modo socialmente responsável. 

Os partidos que nos governam nas últimas décadas tem erros mas também tem acertos e ficarmos cegos para isso é jogar a criança fora com a água do banho. 

Enfim, que a paixão seja a mola propulsora para ir em frente, sem riscos de retroagir.

N.B- Artigo encaminhado para publicação pelo autor


Montserrat Martins* psiquiatra, ambientalista e escritor de Porto Alegre/RS/- Colaborador semanal do Blog Ponto de Vista

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