20 de mai de 2015

COMPORTAMENTO POR MONTSERRAT MARTINS

Valores, escolhas e alianças 

                                                       Montserrat Martins 


          O ser humano se define em seus atos, mais que em suas palavras, o que sabemos por experiência de vida, mais que pelas sábias palavras do Sartre. Na vida pessoal ou na pública, em pleno século XXI, o desafio continua sendo encontrar palavras que correspondam à realidade.
         
Começamos 2015 com faixas pedindo volta dos militares, entre outros posts nas redes sociais de um verdadeiro “festival conservador” de todos os tipos. 

O governo recém reeleito com a popularidade de seus progamas sociais hoje é tratado como um caso de polícia, um mero bando de ladrões e por aí vai, numa das linguagens de mais baixo calão da história da política. Como chegamos a esse ponto, em tão pouco tempo?

“Tuas ideias não correspondem aos fatos” poderia ter alertado  Cazuza, se estivesse vivo, na campanha à reeleição da Dilma. Além de negar as dificuldades econômicas – sempre com o calendário eleitoral embaixo do braço – a reelegenda faltou com a verdade e menosprezou as dificuldades pós-eleitorais.

Dois candidatos de oposição vinham prenunciando um 2015 difícil pelas contas desarrumadas do governo, Marina e Aécio, foi então que a campanha pela reeleição fez a sua escolha de valores, mais uma vez pelos cálculos eleitorais, e escolheu como alvo preferencial a ex-ministra ao invés do tucano. 

Na “era dos marketeiros”, especializados em construir mitos (Coração Valente) e destruir adversários, Marina foi vendida na TV como uma traidora do povo, quando na verdade a ameaça real era aos milhares de cargos governistas em jogo.

O dito “mercado”, forças que sacralizam a iniciativa privada e não se cansam de fustigar as empresas públicas, teve ali a sua grande oportunidade de fazer a festa,  porque viu reviver, enfim, o seu candidato tucano que estava tão fragilizado nas pesquisas até ali.

É importante dizer isso com todas as letras, agora, para não parecer que o pensamento conservador no Brasil se fortaleceu subitamente a partir do “nada”, na quarta gestão de sucessivos governos baseados em programas sociais.  Pois quando se escolhe como alvo principal correntes políticas que participaram do mesmo campo até recentemente– afinal Eduardo Campos e Marina Silva eram ministros de Lula, tanto quanto Dilma – se está obviamente enfraquecendo esse campo e fortalecendo os seus detratores.

Exemplo  clássico na História foi o golpe do Franquismo na Espanha em 1936 contra a Segunda República. É um caso citado para demonstrar como a divisão das forças de democráticas e de esquerda serviram para a ascenção de um regime de características fascistas, que desembocou na cruenta Guerra Civil espanhola. 

Que a lição sirva para o Brasil de 2015 e quiçá os governistas sejam capazes de fazer sua autocrítica, ainda a tempo de evitar a derrocada política do país entregue nas mãos do “mercado”.


* psiquiatra, ambientalista e escritor de Porto Alegre/RS/- Colaborador do Blog Ponto de Vista

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