22 de jun de 2015

A rebeldia literária do VÔ CABURÉ...

Corrente para as Forças Armadas
Por Aécio Kauffmann Vô Caburé *

Meu (minha) caro(a).
Hoje, chegou-me, as mãos, uma carta-prece, acompanhada de votos de felicidades e outros “tro-lo-lós...”.
O missivista, talvez por conhecer da minha habitual descrença em coisas desta natureza, reforçava a validade do assunto da correspondência, reportando-se a “itinerância” do documento que, segundo “o próprio”, já havia percorrido o mundo (qual globetrotter) nove vezes; que procedia de um lugar conhecido como Neettthewzeuland e, acrescia o cuidadoso correspondente, “se as instruções foram seguidas com critérios, à sorte baterá a sua porta dentro de quatro dias.

.." Você recebê-la-á por carta...

Não se trata de uma brincadeira.”
Em seguida, me punha a par das normas a serem seguidas no sentido da obtenção “de um sortudo bafejamento.

Escreva para pessoas que você conheça e que, segundo o seu critério, estejam precisando de sorte, anexando a cada uma das cartas, “uma prece de fé”..
. E aí se passaram dez anos, quero dizer, e aí começaram os meus problemas...
De cara” pensei no Lula. Ao despois”, no Obama e, “por tabela”, no Bin Laden, mas o remetente me tinha sido bem claro... Que você conheça.!!!!!

Aí voltei “a estaca zero” com o mesmo galho.
Não que eu não disponha de suficiente relacionamento para escrever algumas cartas, mas “o causo é que” a maioria dos qüeras que conheço estão precisando mesmo é de um milagre, contudo, logo adiante, o meu anônimo correspondente me coloca no meu devido lugar me dando a “dica” com todos os seus parangolés...
“A sorte lhe chegará em forma de reais...
” Bem, aí nem pensar (sacou a sutileza da indução...?).

Com o aumento do condomínio a mil por hora; com o IPVA e o IPTU no pico; com as faculdades “a lo largo” na cobrança de suas, já elevadíssimas, mensalidades e mais a dolorosa perspectiva, de continuarmos mais um ano sem aumento, (isto pr’a não falar que querem fixar a pensão a um máximo de 50% do que é);atrelar o nosso já minguado salário ao índice de dez vezes o salário mínimo e outras insuspeitadas manobras que já estão a bolar por aí e que acabam sempre por estourar e você sabe bem em quem ...) “dinheiro é sorte pr’a nenhum Leão botar defeito”.

Aliás, os gurus de plantão na economia nacional conseguiram, de uma vez por todas, derrubar o velho conceito de que o dinheiro não traz felicidade..., mas isto são outros trilhões de reais (nova maneira de dizer... mas isto são outros quinhentos cruzeiros).

E o escriba secreto (tcham, tcham, tcham, tchaaamm...), jogando com a possibilidade de que, mesmo com a sua sobrante argumentação, eu pudesse tentar me escapulir ao seu envolvimento, por falta de contexto ideológico, logo..., “e na maior cara-de-pau”, me atropela, partindo para a “a apelação direta, sem retoques, sem preciosismos e, usando a técnica” bateu-levou “, tonitroa, graficamente, aos meus ouvidos (que acredita moucos)...
”. 
Um militar norte-americano (ah! estes norte-americanos e suas sortes transnacionais), usando esta corrente, dentro do figurino, ao cabo dos quatro dias, foi brindado com uma escritura pública de doação onerosa (este tipo de escritura paga menor imposto de transmissão) relativa a uma área de terras com cerca de 4.000.000 hectares na região de Serra Pelada.
Você tem ideia do que sejam quatro milhões de hectares e naquela região...?

E, não bastando com esta pequena amostragem, o “correntista”, logo adiante, contra-ataca, talvez já presumindo “aproveitamento de êxito”, e sapeca-me:
Dom Eliot, como no caso do companheiro d’armas, quatro dias após enviar a sua última carta, foi convidado para gerenciar um Projeto de Extração de Nióbio, na região de Carajás, com um ordenado inicial em torno dos R$ 100.000, fora as mordomias (carro, casa, empregados, alimentação, combustível para o veículo, passagens aéreas Carajás - Madureira – ida e volta – duas vezes ao ano, tarifas de telefone DDD/DDI a descoberto; remessa de correspondência particular, uso da impressora do acampamento para pequenos trabalhos gráficos e etc, etc...) e hoje é Vice-Presidente Executivo da AREM INTERNATIONAL CO., fornecedora exclusiva da NASA.

Antônio Prado, continuava o escriba, empresário bem sucedido e que tinha já embolsado a módica quantia de trezentos milhões de reais numa transação com dinheiro a Fundo Perdido, para exportação de sucuris e jacarés para uma fábrica de calçados na Somália, recebeu uma corrente bem igual a esta...
“Não levou fé”...

Quebrou a corrente e acabou sendo trucidado, brutalmente, pelos garimpeiros, sendo que as suas cinzas não puderam nem mesmo ser aproveitadas como adubo. E, aproveitando o embalo, o anônimo correspondente arremata
: “Visto o Lula”...? Pois é... recebeu também uma corrente.
Como bom marxista, que dizem que é, “não deu a mínima” e agora colhe os resultados: foi escolhido como o destaque troglodita – ideológico do ano; vai ter que explicar e justificar a sua presença na trilateral e periga ser arcabuzado ao amanhecer, se comprovarem, em vídeo-tape, que era ele o letrista do “Paralamas do Sucesso”.

Não quero nem lembrar o Bin Ladem e o Kadafhi.. Dizem......, que os dois, além de jogarem fora a corrente ,a ironizaram.
Como o(a) companheiro(a) pode observar, os aspectos são, por um lado, por demais aterradores para que eu me atreva a quebrar a “dita cuja”, ainda mais que, do outro lado, “para quem está já trocando receitas de como fazer gafanhoto ensopado ao molho de capim limão”, a possibilidade de “entrar algum em caixa” é motivo mais do que suficiente para que eu me posicione,
Destarte, resolvo – “com aquela cara de cachorro que lambeu graxa” – integrar-me a corrente, selecionando, é evidente, algumas pessoas do meu relacionamento e dentre elas você – para a corrida em busca de sorte.

Faça logo a sua carta, ou se estiver com preguiça, xeroquei esta e a remeta para umas quantas pessoas do seu círculo de amizade.
Quanto mais cartas, melhor.
A cada uma delas, acresça aquela prece de fé e envie tudo, de uma só vez, NOVENTA HORAS APÓS O RECEBIMENTO DESTA PRECIOSIDADE.
Mas ,cuidado...!

Remeta apenas “p’raquelas” pessoas que você sabe que não lhe vão deixar pendurado no pincel, quebrando a corrente, pois, se isto ocorrer, o mínimo que lhe vai acontecer será ter que ouvir, comportadamente, todos os programas políticos da TV, nas próximas eleições.

E se a sorte não chegar? ??????
Boa pergunta!!!

Neste caso lhe restará, ao menos, a certeza de que algumas pessoas estarão agradecidas pela anônima lembrança.
Outras estarão pensando de uma forma muito intensa em sua genitora..... e outras, ainda, estarão matutando uma forma de liquidá-lo(a) o mais dolorosamente, possível.

O pior é que você pode acabar descobrindo que não tem para quem escrever.....

De qualquer forma, bem vindo ao Clube....

PS1 – Não assino esta preciosidade, porque, em o fazendo, esta droga deixa de ser anônima. Correto? Isto em primeiro lugar .
Em segundo, porque, se eu o(a) conheço bem, estaremos eu e ela (a carta) pouco tempo juntos ao(a) companheiro(a). Ela, esgamilhaçada na cesta do lixo e eu, em demanda àquelas paragens onde o(a) prezado(a) confrade ou confreira quer estar a presumir que esteja a minha adorável mãezinha.
PS 2 – Esgamilhaçada = esmigalhada com esgares.
PS 3 – Faça circular esta corrente senão o INSS pega você.
PS 4 – Sugestão de prece.
“SIR”

Neste Brasil, dentre “os viventes que andam “em baixa”,
cuida, “meu chapa”, destes qüeras que ainda zelam,
pra que a Nação se movimente em boa marcha,
e conscientes,... vão, silentes.Não apelam......

Eu, compungido, contatando “estes meus praças”,
lhes sinto “as barras” e por elas “sou desperto”,
pra lhe rogar que concessão se já lhes faça,
pois se lhes esgarça , enfim, o mango esparso e incerto.

A escassa “margem” já nos põe preocupados...
Daí o apelo que elaboro por escrito..
. Firme e direto... Sem nenhuma história triste.
Lembrando apenas que, se negas, “tão ralados”,
pois já cachorros “tão matando à tapa e à grito”,
e encalacrados “tão que tão comendo alpiste”.
Carlf Mann, o velho.

* Cel. Ref. escritor, poeta, compositor de Porto Alegre/RS

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