28 de ago de 2015

MORAL DA TROPA NA VISÃO DE MONTSERRAT MARTINS

Moral da tropa

                                Montserrat Martins*

       Exigir sacrifícios da população é o que se faz em épocas de guerras, quando vidas estão em risco, o país está ameaçado, coisas que tornem sacrifícios pessoais compreensíveis. Os governantes que alegam não ter dinheiro para pagar aposentados (governo federal) ou até os servidores na ativa (governo gaúcho) teriam que ter moral, então, para convocar a todos para a “guerra” contra a escassez de recursos.
       
Perdoar a dívida de países africanos seria simpático se o mesmo Governo Federal não estivesse arrochando os Estados na cobrança da dívida destes, aliás, questionável judicialmente. Visitar o Obama seria bom se fosse para melhorar algo além da própria imagem da Presidenta, se fossem sinceros ao menos os propósitos assumidos perante Obama, de diminuir o desmatamento por exemplo.
       
Já o Governador do RS conseguiu “roubar a cena” das contradições da Presidenta, ao não honrar sequer os salários dos seus servidores. Nesse primeiro semestre de governo, no entanto, o Governador e sua comitiva já estiveram na Europa, de onde não trouxeram nenhum investimento para o Estado, a não ser lembranças e fotos do passeio. Já fez a proeza, também, de alugar um helicóptero particular para ir num aniversário de político no litoral, além de seguir contratando centenas de CCs. Ser “republicano” seria valorizar funcionários de carreira.
       
Falta “cortar na carne” das próprias equipes, comitivas, cargos, pois até agora os sacrifícios são apenas para os outros. Você espera que policiais, professores, servidores dos hospitais, se sintam “convocados” a economizar para o Estado, enquanto o Governador e sua equipe recebem em dia e seguem tendo as mesmas regalias de sempre? Enquanto isso, todo o comércio entra em recessão.

       
Para convocar para uma “guerra contra o déficit” o primeiro aspecto a ser cuidado é a “moral da tropa”. Análogo a pais capazes de se sacrificar pelo bem dos filhos, até mesmo dar a sua comida a eles, o que se espera dos comandantes é o exemplo do sacrifício. Só o exemplo vindo de cima é capaz de “unir a tropa”. Ao contrário, se os superiores não fazem tudo o que podem pela população, desmotivam as pessoas e esvaziam o discurso retórico de “unir a todos por uma causa comum”.
       
A Justiça já deu liminares para SP e RJ renegociarem a dívida com a União; a OAB-RS ajuizou no STF na Ação Originária 2059/2012, na qual o Estado ainda não ingressou como parte, para rever cláusulas e valor da dívida. O Governo pediu apenas ao STF que evite o congelamento de recursos do Estado. E mais, o Governo agora em agosto não está usando os depósitos judiciais, colocados ao seu dispor, para pagar mais que os 600 e poucos reais que oferece aos funcionários. 

Enfim, falta fazer todos os esforços, de verdade, para convencer que se importa mesmo com a população.

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Montserrat Martins- psiquiatra, ambientalista e escritor gaúcho- colaborador do Blog Ponto de Vista

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