22 de jan de 2016

COMPORTAMENTO POR MONTSERRAT MARTINS

Oded, o brasileiro



                                    Montserrat Martins*



       “Na Suécia existem escolas particulares mas as pessoas vão para as públicas mesmo porque são de qualidade”, conta Oded Grajew, um dos criadores do Forum Social Mundial e do Programa Cidades Sustentáveis (PCS). A história e as contribuições de Oded merecem ser conhecidas por todos, mostrando como se pode ser útil ao país e a melhorar os governos, sem participar de partidos políticos.

       Porto Alegre, São Paulo e mais 40 cidades já aprovaram uma lei orgânica que estabelece a apresentação do Plano de Metas pelo Prefeito eleito, no prazo de 90 dias após a posse, incluindo ali as promessas de campanha. Esse plano deve quantificar as metas, de modo a que todos possam acompanhar sua evolução. Assim a avaliação dos prefeitos sai do terreno da mera subjetividade, se são “simpáticos” e sorridentes ou não, passando para a esfera de suas ações. Isso eleva o nível do debate político.

       Para que todo o país pratique isso, estão no Congresso Nacional a PEC 10/11 e a PEC 52/11. Estabelecem que o governo federal, os estaduais e os municipais são obrigados a ter Plano de Metas, com transparência em sua divulgação de modo que os eleitores possam acompanhar como está evoluindo o seu cumprimento.

       Esses planos devem incluir critérios como desenvolvimento sustentável, inclusão social e respeito aos direitos humanos, além dos temas mais conhecidos como saúde, educação, segurança, mobilidade urbana.

       A realidade não muda magicamente com aprovação de leis, mas a sua importância é didática. Ao invés de discutir “belezas” dos candidatos, os debates passam a ser pautados por critérios mais objetivos e sob o controle da população que desejar se informar a respeito. Foi com essa motivação que Oded e parceiros do PCS propuseram as PEC das Metas, para mudar nossa cultura política e da administração pública.

       No Brasil temos uma tradição política autoritária, impositiva, que vem dos tempos do Império e das Capitanias Hereditárias, passa pela República decretada por presidentes militares, se consolida com o Estado Novo de Getúlio e, por fim, com a Ditadura Militar dos anos 60 a 80. Não é à toa que os brasileiros esperam leis mais duras e punitivas como panacéia para solução dos problemas sociais.

       A PEC 10, ao contrário, não estabelece punições pois Oded entende que seu caráter é pedagógico. Com sua sabedoria sueca (embora nascido em Tel Aviv), ele não quer “judicializar” a política, quer os debates entre a população e não nos Tribunais.

       Nos falta um nível mais elevado de debates e os Planos de Metas proporcionam isso, de modo objetivo, sem sensacionalismos. Oded parece “muito europeu” para ser brasileiro, mas sua vida profissional (de empresário) e social é toda no Brasil. Uma propaganda dizia que o brasileiro “não desiste nunca” e isso é a cara do Oded.


Montserrat Martins* psiquiatra, ambientalista e escritor de Porto Alegre/RS/- Colaborador semanal do Blog Ponto de Vista

2 comentários:

Pacco 31 de janeiro de 2016 18:25  

Desejo Maternal?...

Viver nessa imaculada sociedade,
Entre a razão, mentira e a verdade...
É um manto social?...
Vedes a desigualdade ancorada
Na injustiça cega e desordenada...
Um desejo maternal?...

A lei do silêncio que nos emboca
Sob o império que a dor sufoca —
Injustiçada tunda;
Amordaçada em regimento ardente,
Do bel-prazer na dança do ocidente —
Vossa nudez corcunda.

Nas correntezas que vinham do Norte,
Trazendo mantos da mascarada coorte —
Soprada pelos ares...
Que um dia o falsário eternizou à glória
De liberdade — extraída por vós inglória,
Derramada a cobres.

Sim, os manifestos vindos do monte,
Para cá embaixo no celeiro da fonte —
Regida pelo vento...
Pelos deuses que outrora condenastes,
Irrespondivelmente sob os estandartes
Do descontentamento.

Mesmo que o passado esteja infecundo,
Em vossas lembranças do caos profundo,
Numa cruel tortura...
Regendo as ondas humanas, desumanas,
E amargadas em suas visões soberanas —
Sombria sepultura!

Pacco

Pacco 31 de janeiro de 2016 18:30  

FALSÁRIOS DA LIBERDADE

Nossos rios, povos, cidades e esperanças...
Só serão avaliados em época de eleição.
Os impostos recolhidos nas infindáveis alianças...
E os ais dos eleitores, nessa triste interjeição.

Rios transbordando os lamaçais da vergonha,
Que o bendito suposto logrou como patrimônio,
E justifica-se aos inconscientes, na carantonha...
Na cara dura, e nunca fará um só pandemônio...

E, para completar essa infinita incompreensão,
Com os risos estampados em fotinhos e folhetos,
E transmutando até mesmo na liga da oposição...
Nas propinas indecorosas em seus panfletos...

Mas, a eleição é verdadeira peregrinação,
Co’os santinhos que circulam para a cesta básica...
E farão brotar na irreal lavoura da abonação
Dos homens de bens, e homens de Deus na basílica,

Chorando a dor da injustiça que os acompanhará
Por toda a vida, por toda a eternidade, numa cruel
Penitência sobre a mentira e a custódia no alvará
Da vergonha, que o sorrateiro não paga um níquel.

Ó injustos!... Na epopeia vergonhosa da perversidade...
Falsários da liberdade em clãs de lenta miscigenação...,
Nos escombros escondidos, na improfícua desigualdade,
Que os metodistas aceitam em conformidade e adoração.

Pacco

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