17 de mai de 2016

COMPORTAMENTO POR MONTSERRAT MARTINS...

Bem vindos ao Parlamentarismo

                                                                    Montserrat Martins*

        Com o segundo Impeachment em um quarto de século, fica evidente o poder que o Congresso tem no país, que na teoria é Presidencialista, mas na prática parece um Parlamentarismo, onde as maiorias derrubam governos quando estes perdem suas bases de apoio. Houve um plebiscito décadas atrás em que a população brasileira votou pelo Presidencialismo contra o Parlamentarismo, mas a realidade se mostrou diferente.
        

Até hoje o costume brasileiro é o de pouco se importar com os deputados que elegemos,  a votação recorde do Tirica (“pior do que tá  não fica”) foi para deixar isso bem claro. Talvez agora, vendo que a Câmara  chegou a ser presidida pelo Cunha (flagrado com dinheiro não declarado na Suíça) valha a pena conferir em quem votamos para Deputado.
       

O povo brasileiro é tradicionalmente conservador, diagnóstico que já foi feito não apenas pelos partidos mais à direita e os de viés religioso, como também pelos próprios petistas, como revelou o cientista político André Singer em seu livro sobre o lulismo.  Lula  para se eleger e reeleger tornou seu discurso mais ameno e se aliou aos “coronéis” regionais.
        

Deputados aqui se elegem “por segmentos”, como se diz, sejam fatores regionais (benefícios locais) ou por setores de atividades, sejam rurais, religiosos, ligados à educação, à saúde, à segurança, ou a causas ainda mais específicas.  Muitas vezes os Deputados eleitos desse modo – por representar uma região ou uma causa – não tem relação com temas  relacionados à Economia ou Programa de Governo, que vá além daqueles “segmentos”. Os eleitores aparentemente não se importam com qual Presidente (ou Primeiro-Ministro, se fosse o termo) seu deputado apoia.
        

Ao contrário da pouca atenção que damos aos Deputados, os debates sobre os candidatos a Presidente sempre foram muito acirrados no Brasil. Para escolher Presidente, brasileiras e brasileiros levam o assunto mais a sério, discutem entre si, criticam quem não gostam, defendem as propostas ou ideias ou práticas de quem se identificam.
        

Eleição Presidencial é coisa séria, já dividiu opiniões de casais, famílias, amigos. Já motivou discussões em bares, em clubes ou reuniões de família. Coisas que não temos notícias que aconteçam quando você diz que vai votar no Deputado X ou Y.
        

Precisamos levar muito a sério quem colocamos no Congresso Nacional. Com parlamentares sem identidade politica, movidos por interesses fisiológicos, não há estabilidade política. Passamos vergonha perante o mundo com o notório corrupto Cunha presidindo um impeachment. Se queremos mudar, ser um país sério e digno, façamos a tarefa completa.  Já que está evidente o poder dos parlamentares, vamos nos comportar de acordo com essa realidade. Se você quer um país digno, passe a tratar a partir de agora da eleição de seus Deputados e Senadores com a mesma importância que você escolhe Presidente.

N.B- Artigo encaminhado para publicação pelo autor



Montserrat Martins* psiquiatra, ambientalista e escritor de Porto Alegre/RS/- Colaborador semanal do Blog Ponto de Vista

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